terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Escalada em Árvores: Novidade Divertida nas Alturas - Jornal Correio de Uberlândia 12/01/2009

Escalada em Árvores: Novidade Divertida nas Alturas
Técnica permite subir até o topo de árvores de qualquer altura



Gislene Tiago (Repórter)



Subir em árvores não é mais privilégio apenas das crianças. Seja para se divertir ou observar espécies animais e vegetais, uma modalidade de rapel tem permitido que se chegue ao topo das árvores. É a escalada em árvores, uma técnica de ascensão vertical em dossel que chegou a Uberlândia.
A novidade foi trazida da Amazônia pelo biólogo Alexandre Coletto da Silva. Para desenvolver uma pesquisa do doutorado em Ciências Biológicas (Entomologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, viveu por oito anos no bioma. Já nos dois primeiros anos conheceu e se apaixonou pela técnica que utilizava para transplantar orquídea e estudar aves, observar ninhos e insetos. “Hoje vai muito além de uma atividade física ou prática esportiva, já é um lazer para mim”, disse o pesquisador.
De acordo com ele, tendo a técnica necessária é possível subir com traquilidade em árvores de qualquer porte. “Ainda mais no nosso bioma, o cerrado, onde as árvores têm em média 15 metros”, afirmou. Na Amazônia, onde aprendeu a modalidade de rapel, escalou árvores com quase o dobro de altura, chegando a 30 metros.
Corda, cadeirinha, um par de ascender (sendo o direito azul e o esquerdo dourado), freio em 8, mosquetão, capacete, óculos transparentes, luvas e fita solteira são alguns dos equipamentos básicos para a prática da escalada em árvores. O investimento nesses equipamentos podem chegar a R$ 2 mil. Os itens são semelhantes aos utilizados em rapel, seja em montanhas e cachoeiras, seja em prédios urbanos.
Uma das diferenças com as outras modalidades de rapel apontada pelo biólogo é que, antes de escalar, a árvore é cuidadosamente inspecionada. Com binóculos à mão, é necessário procurar possíveis ninhos de pássaros e lares de vespas e abelhas, para evitar surpresas com enxames. É também com o binóculo que o praticante treinado ou o instrutor precisam estar certos de que a árvore é segura. Então, observam os galhos e as folhas atrás de sinais de que ela esteja doente, oca ou com cupins. Também a base, o solo e o tronco são alvos de observação antes da aventura.
De acordo com Coletto, a melhor escalada é aquela feita no estilo do dito popular “devagar e sempre” e nunca sozinho. É necessário sempre haver um apoio no solo, alguém que, em caso de emergências, tenha como possibilitar uma descida segura ao escalador.
Para praticar a escalada em árvores, não basta coragem, é também recomendado que se recorra a instrutores devidamente treinados. Os preços de aulas dependem da finalidade da escalada. Podem ter no mínimo 16 horas e chegar a 30 horas e custar entre R$ 300 e R$ 700. Para mais informações sobre a prática do esporte, basta entrar em contato com o pesquisador pelo alexbelha@hotmail.com ou pela caixa postal 2.266, CEP 38400-985, Uberlândia. O pesquisador também mantém um blog de divulgação da atividade, no endereço www.escaladasnocerrado.blogspot.com.
O QUEEscalada em árvores, modalidade de rapel que necessita de treinamento adequado com as técnicas necessárias e equipamentos de segurança
CURSOOs preços de aulas dependem da finalidade da escalada. Para cada finalidade — lazer, entretenimento, esporte, pesquisa, entre outras —, há técnicas direcionadas, pois será necessário erguer também equipamentos de trabalho e aprender a manuseá-los no topo da árvore. Os cursos podem ter no mínimo 16 horas e chegar a 30 horas e custar entre R$ 300 e R$ 700.

Equipamentos básicos para prática da escalada em árvores:
Bouldrier (cadeirinha) - É um conjunto de fitas que fica na cintura e nas pernas, ligando o "rapeleiro" à corda através do freio. Existem modelos totalmente ajustáveis nas pernas e na cintura
Freio em 8 - Equipamento em formato de 8, feito à base de titânio, por onde a corda passa e faz atrito, tornando possível o controle da descida pelo praticante. Dependendo da altura e da atividade (canyoning, espeleologia, escalada), existem outros modelos de freio.
Capacete - É sensato o uso do capacete. Sua função básica é a proteção do praticante em caso de escorregões e pedras soltas que possam cair acidentalmente
Luvas - Sua principal função é proteger as mãos do praticante durante o rapel, evitando queimaduras e facilitando o controle da descida. Imprescindível para sua segurança
Fita solteira - Fita muito resistente utilizada para prender a corda em grampos, árvores ou outros pontos de fixação. Outra função importante da fita é a proteção da corda contra desgastes
Mosquetão - Equipamento feito com liga de titânio (um dos metais mais resistentes do mundo) que prende o 8 à cadeirinha. Também é usado para prender as cordas aos grampos ou a qualquer outro local de ancoragem (ponto de fixação). Devido à sua resistência, alguns mosquetões suportam pesos acima de três toneladas. Existem vários modelos e formas (com ou sem trava). Prefira as marcas com trava ou rosca.
Corda - No rapel, a corda deve ser estática. Tem capacidade de suportar pesos acima de uma tonelada, dependendo do seu diâmetro. O tamanho da corda vai variar do local onde será praticado o esporte. A espessura deve ser maior que 11 milímetros, se for usada simples.

Um comentário:

Mário Lúcio disse...

Alexandre,
seu blog está excepcional, vibrante... muito especial ver o seu trabalho e cuidados com a natureza. Estarei sempre linkado no seu blog de agora adiante... tudo de bom amigo, Mário Lúcio - Patos de Minas